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LOBBY LEGAL

"O Lobby sem Mensalão", copyright Revista Imprensa, setembro de 2005.
By Paulo Nassar. Observatório da Imprensa em 06/09/2005


"O esquema de corrupção que envolveu nos últimos anos agências de publicidade, empresas e políticos - e está sendo investigado pelas CPMIs dos Correios e do Mensalão -além de revelar por dentro, para milhões de brasileiros, como são pagas as milionárias campanhas de propaganda política e o submundo comportamental dos nossos representantes, traz à tona, novamente, a necessidade urgente de se debater a atividade legal de lobby no Brasil.
Por aqui, lobby é considerado palavrão. Ser lobista é sinônimo de carregador de malas ou cuecas recheadas de dinheiro sem origem legal, vindo do caixa 2 das grandes empresas, bancos e paraísos fiscais. O lobby no imaginário tupiniquim é coisa do demônio capitalista e as razões dessas percepções nativas são compreensíveis, afinal embaixo da palavra lobby muita lama já passou. Mas, o que é o lobby competente, legitimo e legal? O saudoso professor de Jornalismo, Jair Borin, da ECA-USP, nos lembrava a origem inglesa da palavra, que significa saguão, ante-sala, vestíbulo. Ambiente onde, no século XVII, os agricultores ingleses esperavam educadamente, ou aos gritos, os políticos para informá-los, influenciá-los, pressioná-los e convencê-los de seus interesses. Tal qual fazem nos dias de hoje, sindicatos profissionais e patronais, movimentos dos sem-terra, organizações não-governamentais. Nesta visão, o lobby da Câmara dos Deputados e do Senado são os extensos corredores cobertos com tapetes verdes e azuis das duas casas, agora, vigiados dia e noite pelas câmeras das emissoras de televisão e por centenas de jornalistas de todas as mídias existentes. A ação de Lobby, que muitos no ambiente das empresas chamam de Relações Governamentais, em essência é uma atividade de comunicação, quando legalizada e legitima, realizada às claras, sem mensalão, por representantes conhecidos e identificados de empresas ou entidades com o objetivo de influenciar principalmente os legisladores, gente que elabora e vota as leis, resoluções e decretos. São muitos os diretores e gerentes de comunicação das maiores empresas do país, que ganham honestamente seus salários e empregam parte de seu tempo a dialogar com parlamentares, levantando informações sobre projetos de lei e acompanhando o andamento de tudo aquilo que pode impactar a vida das empresas. Em tempo de CPMI do Mensalão, esses profissionais, muitos deles, ex-jornalistas renomados e competentes, comem o pão que o Valério amassou, por que têm seu trabalho contaminado pelo ambiente de caças às bruxas. A demonização do Lobby no Brasil é conseqüência direta da não regulamentação dessa atividade pelo Congresso. Desde 1989, o Projeto de Lei de número 203, do senador Marco Maciel, que teve a sua primeira versão apresentada em 1983, aguarda aprovação pela Câmara. Esse projeto tem como inspiração o Federal Regulation of Lobbyng Act, lei norte-americana que regulou, em 1946, o lobby naquele país. A regularização brasileira que anda a passos de tartaruga com certeza dará mais transparência aos debates dentro do Congresso e das Câmaras dos Estados e Municípios, além de identificar os interesses que estão disputando a inteligência dos legisladores. E, é claro, punir os que estão confundindo Relações Publicas com relações não-públicas. Com certeza regularizar o Lobby é dar mais um passo para fortalecer a Comunicação Empresarial e a democracia brasileira.

Paulo Nassar - Diretor-presidente da ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) e professor da Escola de Comunicações Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP)."

Para saber mais visite o site: http://www.lobbying.com.br/

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