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O lobby de luz acesa

No Brasil, lobby é sinônimo de palavrão. E este entendimento, infelizmente, é reforçado, a cada governo e cada legislatura, por escândalos quase sempre no contexto dos relacionamentos entre autoridades e grupos econômicos e outros. Historicamente, a atividade do lobby surgiu na ante-sala da Câmara dos Comuns, na Inglaterra, onde os políticos da época eram abordados por quem tinha algum interesse a defender. Nos EUA, o significado é o mesmo, só que na sala de entrada do hotel onde se os hospedavam os presidentes recém eleitos, antes da posse e de ocuparem a Casa Branca. Nesse hall de entrada, os presidentes também recebiam pressões, conheciam reivindicações, candidatos a assessores. Hoje acontece assim, mas infelizmente não sob os olhares dos que estão nas salas públicas, mas de forma particular, muitas vezes, escusa.
Nos Estados Unidos, o lobby, como atividade profissional, é regulamentado desde 1946. No Brasil, a atividade é desregulamentada, embora feita cotidianamente, sem regras discutidas com a sociedade e com os interessados, e, por isso mesmo, se transformou em terreno propício para todo o tipo de ilegalidade e da venda de facilidades. A importância de regulamentar o lobby no Brasil e dar transparências aos seus processos, identificar os lobistas, saber para quem eles trabalham e quanto gastam e recebem por seu trabalho, por certo coibiria (não acabaria) a corrupção nas relações entre governo e os grupos sociais. A agenda pública que envolve hoje atividades de lobby é de extrema importância para a sociedade brasileira, tão carente de desenvolvimento. Por isso mesmo, ela deve ser arejada por práticas legais e principalmente legitimas, que vêm da opinião pública.
Pense, por exemplo, nos interesses políticos, sociais e econômicos que hoje estão envolvidos em questões como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado agora pelo governo Lula. Ou a grande discussão que envolve a questão ambiental e o desenvolvimento sustentável, os impostos que impactam os setores produtivos e os simples mortais, e, ainda, tudo que diz respeito à convergência de mídias, entre outros temas.
É ingênuo acreditar que os lobbies, praticados de forma desregulamentada e de maneira privada, não estão agindo nos corredores de Brasília e de outras capitais brasileiras.
As empresas, por exemplo, fazem os seus relacionamentos com autoridades sob o guarda-chuva de áreas que chamam de "relações governamentais ou institucionais", entre outras. E como vivermos, em matéria de lobby, num território sem lei, todos, mesmo os que praticam os relacionamentos com o governo dentro da legalidade, estão sob suspeição.
Nesta quinta-feira, 01 d março, o ex-ministro das Comunicações, Said Farhat, lançou em São Paulo, o livro Lobby. O que é. Como se faz: Ética e transparência na representação junto a governo. A obra é um tratado de 511 páginas que ilumina o assunto, esclarece como a atividade pode se transformar em instrumento para o aperfeiçoamento da democracia e da ética no Brasil. Said Farhat, um dos pioneiros e principais comunicadores do Brasil, faz também o registro histórico, prático e teórico do exercício da atividade de lobby no Brasil, da defesa legítima e aberta de interesses de atores sociais identificáveis. Farhat, que generosamente registra nesta obra as principais passagens de sua vida, dedicada ao tema, produz não apenas memória, mas compartilha conhecimento, experiências e histórias vividas.
Os ganhos da regulamentação do lobby no Brasil são destacados pelo jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva que afirma, na orelha da obra, "que numa democracia saudável, o exercício do lobby honesto, transparente, com informação confiável e representação qualificada só pode aperfeiçoar as políticas públicas adotadas pelo Estado".
A iniciativa de Said, com certeza, ajudará a tirar um pouco do ranço da palavra, ao mostrar que existe lobby fora dos cantos sombrios, à luz do dia ou em noites iluminadas.

Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.

Fale com Paulo Nassar: paulo_nassar@terra.com.br

Para saber mais, visite o site: http://www.lobbying.com.br

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