Pular para o conteúdo principal

Transparência e representação de interesses

A tendência é mundial, explica Carlos Ricardo, e qualquer empresa brasileira com atuação multinacional será submetida a legislação de lobby de outros paísesBrasília, 29 - O Brasil precisa de transparência nas relações de defesa de interesse, reconhecendo a existência do lobby, regulamentando a atividade, credenciando pessoas e entidades que a exerçam e identificando interlocutores sob pena de ficar atrasado em relação a países como Estados Unidos, Canadá e os 27 integrantes da União Européia. A opinião é do sócio-Diretor de Relações Governamentais da Patri Políticas Públicas, Eduardo Carlos Ricardo. Segundo ele, a regulamentação do lobby, por meio de Lei Federal, é uma tendência mundial e o Brasil poderá enfrentar dificuldades de relação com os parceiros se o país ficar fora desse contexto. "Qualquer empresa brasileira com atividade multinacional será submetida a isso. É importante que os investidores externos saibam que temos esse tipo de legislação", disse. Carlos Ricardo falou hoje sobre 'Representação Institucional - Lobby', no segundo dia do 3º Encontro Nacional da Indústria (ENAI) no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília. Ricardo defendeu os benefícios que a transparência na defesa de interesse trará para empresas, entidades de classes, ONGs, sindicatos de trabalhadores, igreja, entre outros. "Haverá uma relação muito mais transparente e clara na defesa dos interesses públicos seja da União, Estados ou Municípios. Precisamos mostrar quem está trabalhando na defesa do quê, e representando a quem", destacou Ricardo. Para atingir esse nível, no entanto, é necessário retomar as discussões sobre o projeto de lei que regulamente o lobby. Em 1989, o senador Marco Maciel (DEM - PE) apresentou o projeto de lei (PLS 203/89), que prevê a regulamentação da atividade. A proposta chegou a ser aprovada no Senado em 2001, mas a tramitação foi interrompida na Câmara. "Esses processos não são rápidos. Só que entre a proposta original do senador Marco Maciel passaram-se vinte anos, e o país amadureceu. Acredito que, se o Governo, depois desse Encontro da Indústria, tomar uma posição forte, interessado na regulamentação, o Congresso vai dar uma resposta", afirmou Ricardo. A lei estabeleceria a forma de trabalho e a forma de atuação para prestadores de serviços e entidades de classe. "Enquanto não houver uma lei, não é bom que haja defesa de interesse terceirizada", disse Ricardo. De acordo com ele, nos Estados Unidos é necessário um mandato de representação para que a defesa de interesse seja realizada por terceiros. "Lobby se faz por meio de ação, da presença física. Prestadores de serviços não devem ser representantes de interesses de clientes", concluiu Ricardo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quais habilidades o profissional de relações governamentais deve aprimorar para melhorar a sua performance?

Katz[1], classifica as habilidades necessárias a um profissional de gestão em três grupos principais: habilidade técnica, humana e conceitual. Essa tipologia nos será útil para entender quais desses grupos de habilidades são mais importantes para profissionais que, como você, exercem a atividade de relações governamentais. Vamos iniciar pelas habilidades técnicas, o grupo menos complexo, segundo Katz. Apesar de essenciais, as habilidades técnicas são menos complexas, pois podem ser desenvolvidas mais facilmente, bastando ao profissional adquirir conhecimentos, métodos e aprender a utilizar os equipamentos necessários para a realização de suas tarefas. Obter ou aprimorar conhecimentos sobre políticas públicas setoriais, processo decisório, processo legislativo, negociação e argumentação são um grande diferencial para esse profissional. Porém, caso haja alguma lacuna a ser preenchida, um bom workshop, curso de extensão ou pós-graduação lato sensu pode auxiliar o profissional a desenvolve…

Como aumentar a sua capacidade de persuasão?

Oi! Tudo bem?
Semana passada, enfocamos o grupo de habilidades conceituais, pois ao desenvolver essas habilidades o profissional aprimora sua capacidade prospectiva, analítica e estratégica ao aprender a pensar de forma criativa e inovadora e, ao mesmo tempo compreender ideias abstratas e processos complicados.
Porém, para persuadir e influenciar os tomadores de decisão não basta possuir um rol de habilidades técnicas e conceituais bem desenvolvido. O grupo de habilidades humana é essencial para que o profissional de relações governamentais alcance o seu objetivo: influenciar. Para influenciar é preciso persuadir. Assim, qual seria o melhor caminho para aumentar a capacidade de persuasão?
Primeiramente, é preciso destruir um mito que já se encontra enraizado em nossas mentes. É comum ouvir pessoas dizendo que algumas habilidades, como por exemplo, comunicação, expressão e observação são inatas. Portanto, se você não consegue se comunicar com outros de maneira assertiva, jamais poderá apr…

Qual habilidade desenvolver para alcançar seus objetivos?

Como você bem sabe, o profissional de relações governamentais é o agente responsável por construir um relacionamento sólido e duradouro entre a organização que representa e o governo.
Aqueles que atuam na área, como você, reconhecem que o estabelecimento desse relacionamento é muito positivo, tanto para os tomadores de decisão quanto para os grupos de interesse. Reconhecem também que os grupos de interesse colaboram para com o processo decisório estatal ao levar aos tomadores de decisão informações que eles nem sempre possuem, o que os capacitam a tomar decisões mais equilibradas acerca de importantes questões que impactam a sociedade civil e o mercado.
Mas, você já parou para pensar sobre quais são as habilidades mais importantes para o exercício da sua atividade? O que garante que o tomador de decisão leve em consideração a informação que você fornece em detrimento da fornecida por outro grupo?
É certo que você precisa compreender profundamente questões técnicas que envolvem tanto a …