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Setor farmacêutico eleva gastos com lobby

Setor farmacêutico eleva gastos com lobby
Alicia Mundy e T.W. Farnam, The Wall Street Journal

11/05/2009


O setor farmacêutico, que já é aquele que mais gasta em esforços para influenciar Washington, está fazendo uma aposta ainda maior no jogo do lobby.
Possíveis consequências, boas e ruins, da esperada reforma do sistema de saúde dos EUA têm animado os fabricantes, que gastaram US$ 47,4 milhões em atividades de lobby nos primeiros três meses de 2009. São 36% a mais do que em igual período de 2008, segundo informações obrigadas a prestar ao Congresso e analisadas pela organização não-partidária Centro para Políticas Responsáveis. Esse é um dos poucos setores nos EUA a ter elevado gastos com influência política na recessão. De modo geral, várias empresas e instituições fizeram cortes, deixando os gastos estáveis em relação há um ano.
O setor farmacêutico quer ter um papel na definição das leis que vão expandir a cobertura de seguro-saúde entre os americanos. As empresas podem sair no lucro se mais gente ganhar seguros que incluam remédios sob receita. Mas há perigos à espreita em propostas feitas pelo Executivo e por parlamentares do Partido Democrata - o mesmo de Obama - voltadas a cortar custos de saúde. O Congresso estuda grandes projetos sobre patentes, cobertura para remédios por receita, genéricos biológicos, importação de remédios vendidos no Canadá e limites para propaganda direta ao consumidor.
O projeto de lei de ajuda econômica aprovado em fevereiro põe US$ 1,1 bilhão em pesquisas de eficácia comparativa para determinar quais tratamentos e remédios são melhores para certas doenças. Alguns veem na pesquisa uma forma de ajudar governo e seguradoras privadas a cortar gastos com remédios que vão mal em estudos comparativos, embora o propósito oficial não seja corte de custos.
Várias empresas mais que dobraram seus investimentos em lobby no primeiro trimestre deste ano. Oito grandes farmacêuticas - entre elas a divisão americana da alemã Bayer, a GlaxoSmithKline e a Merck, que no Brasil se chama MSD - divulgaram, cada uma, altas acima de 40% em lobby. A Pfizer gastou US$ 6,1 milhões no primeiro trimestre, 119% a mais do que os US$ 2,8 milhões do mesmo período de 2008. Indagada sobre os números, a Pfizer afirmou se reuniu com representantes do Congresso e Executivo sobre como "expandir a cobertura para não-segurados, melhorar a qualidade ao enfatizar a prevenção e premiar a inovação".
A maior organização setorial da indústria, a Pesquisas e Fabricantes Farmacêuticos da América (PhRMA), gastou US$ 6,9 milhões, contra US$ 3,9 milhões há um ano. Para comparar, a indústria de serviços financeiros, que tem bilhões de dólares pendentes de decisões políticas, cortou gastos com lobby em 8% neste mesmo período. A PhRMA financia um grupo de defesa de patentes que apoia pesquisa de eficácia comparativa, mas faz lobby para evitar que os resultados de pesquisas sejam usados em decisões de cobertura e pagamento.
"Todo mundo deveria usar informação para tomar decisões válidas sobre a eficiência dos remédios", disse o ex-deputado Billy Tauzin, presidente da PhRMA. Ele disse que o governo usar as informações para controlar preços não era "o que queremos ver nos EUA".
Houve uma época em que a indústria farmacêutica cultivava laços estreitos com o Partido Republicano, hoje na oposição. Mas agora o setor tem posto mais dinheiro nas campanhas de democratas e trabalhado com grupos simpáticos ao partido de Obama, conhecidos como liberais.
Desde a eleição de 2008, os comitês de ações políticas das farmacêuticas têm preferido os democratas em suas contribuições de campanha, tendo dado US$ 1,2 milhão a democratas e US$ 1 milhão a republicanos, segundo dados da Comissão Eleitoral Federal analisados pelo Centro para Políticas Responsáveis. No mesmo período logo após o pleito de 2004, o setor deu US$ 944 mil a republicanos e US$ 332 mil a democratas. "Nos últimos quatro anos, nos tornamos menos partidários e talvez apartidários", disse Tauzin.
A PhRMA tem trabalhado com grupos políticos liberais, também, tendo criado um comunicado de princípios compartilhados com o grupo de direitos dos pacientes Families USA. Ela também fez uma campanha publicitária com o sindicato internacional dos empregados em serviços agradecendo a parlamentares por terem expandido a assistência médica do governo, inclusive cobertura de remédios sob prescrição, para crianças.

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