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Lobista entrevistado pelo programa Sem fronteiras da Globonews apresenta sua visão

Por Diego Zancan Bonomo Ontem, a GloboNews exibiu uma versão do Sem Fronteiras sobre lobby nos Estados Unidos. O jornalista convidou a mim, a Leticia Barbalho Phillips e a Celia Feldpausch, todos registrados como lobista junto ao Congresso dos Estados Unidos, para conversar sobre o tema. A nós, a matéria, em fase de produção, foi apresentada como uma discussão sobre o que, de fato, é lobby -- e como ele funciona nos Estados Unidos (i.e. sua regulamentação e prática). Passamos mais de uma hora conversando com o jornalista sobre o assunto, a maior parte dela dedicada a explicar a diferença entre o direito de defender um interesse particular legítimo (o direito de petição ao governo) e o ato de corromper um funcionário do governo. Nosso objetivo era, justamente, mostrar como no Brasil -- e até nos Estados Unidos -- há o falso entendimento de que lobby é corrupção; e que a discussão séria sobre os limites do lobby diz respeito não ao direito de peticionar o governo, mas à questão do financiamento de campanha, ou seja, da influência do poder econômico no processo eleitoral, que distorce a representatividade dos eleitores e a competitividade eleitoral dos candidatos. Fizemos um grande esforço para explicar que quem anda com mala de dinheiro para corromper funcionários públicos, faz "caixa 2" ou troca financiamento eleitoral por contratos com o governo não é lobista, é corruptor -- e deve ir para a cadeia. O resultado do programa contudo, foi essa produção péssima que faz, justamente, o contrário! O jornalista começa o programa entrevistando o Abramoff -- um criminoso que desrespeitou as leis sobre lobby e foi preso! --, reforça o mito de que lobby é corrupção e segue por 30 minutos "mostrando" como o sistema político americano é degenerado por conta dessa "verdade"! Confunde o direito de petição ao governo com financiamento de campanha. Não mostra o lobby, legítimo, das empresas e dos sindicatos. Não mostra o lobby, legítimo, dos grupos ambientalistas e de direitos humanos. E, além de tudo, termina com uma falsa oposição entre o movimento pró-direitos civis e a existência do lobby. O Civil Rights Act foi, entre outras coisas, resultado de 100 anos de lobby! Legítimo! Assim como a 19a Emenda, que estabeleceu a voto feminino! O programa só serve para (1) confundir quem assiste e (2) manter o mito de que lobby é corrupção; uma degeneração do regime democrático. Mas o mais interessante de tudo foi a desonestidade intelectual da TV Globo que, ao entrar em contato conosco, disse querer mostrar como, de fato, funcionava o lobby nos Estados Unidos -- ou seja, desmistificar o mito. OBS. Detalhe final para a trilha sonora sombria e a metáfora boba do Império Romano em declínio.

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