quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Relações governamentais é parte fundamental da estratégia empresarial, diz Ricardo Sennes

“Relações governamentais é parte fundamental da estratégia empresarial. Não é um pedaço”: essa é a conclusão do sócio-diretor da Prospectiva Consultoria, Ricardo Sennes, após palestra na retomada dos encontros do Comitê Aberje de Relações Governamentais. O evento aconteceu no dia 25 de fevereiro de 2014 no Espaço Aberje Sumaré em São Paulo/SP, sob o tema “Políticas Públicas: Agendas e Processo decisório no Brasil” e com patrocínio do Itaú-Unibanco. O motivo da constatação, feita por um especialista em cenários políticos no Brasil e América Latina, em temas geopolíticos internacionais, políticas de inovação, planejamento estratégico em processos de internacionalização e desenho de agendas públicas setoriais, é a estrutura política brasileira. Em sua visão, há algumas características que estão presentes em várias outras nações, mas nunca de maneira combinada como acontece no Brasil. Ele refere-se, por exemplo, ao federalismo, com competências sobrepostas, arrecadação de impostos concentrado em nível federal e o entendimento que o município é uma unidade federal. Também diz respeito ao sistema de multi-partidarismo fragmentado, que leva ao enfraquecimento dos partidos políticos e a menor transparência. O palestrante agrega ao conjunto o presidencialismo de coalizão, em que barganhas acontecem o tempo todo por orçamento e por cargos no executivo federal. Outro ponto destacado são as medidas provisórias, artifício de governabilidade lançado mão pelo Governo Federal, significando um ato de legislar que dá incertezas regulatórias para os cidadãos e para as organizações. “O sistema brasileiro engessa a tomada de decisão. Leva-se mais tempo em costura política do que em criação de políticas públicas”, resume. Sennes ainda levou vários dados para posicionar o Estado brasileiro como um agente econômico importante, que pode alterar a dinâmica do mercado. Afinal, detem 47,6% do mercado de crédito, alocado em bancos públicos, e quase 100% dos créditos de longo prazo, afora ter ação indireta nas decisões dos grandes fundos de pensão. A existência de 112 estatais diferentes, com distribuição bem assimétrica de recursos e distintos níveis de governança é outro complicador. E tudo evidencia a relevância de uma área de relações governamentais nas organizações para enfrentar esta estrutura. O especialista ainda pontuou a questão da burocracia, que é bem estruturada e treinada e possui agenda própria, com hierarquia e disciplina interna. A burocracia embutida num agente com tamanho peso é ainda mais dramática. E o que ele chama de “mão visível do Estado” é clara, com múltiplas atuações – o Governo é parceiro investidor, formulador de políticas, negociador internacional, regulador, concorrente, comprador, taxador e financiador, a depender do setor de negócio e do momento econômico. A apresentação passou então a ser focada na formulação de políticas públicas e nas formas de monitorar e colaborar com seus aperfeiçoamentos. Esta postura antecipatória, diz Sennes, é estratégica na mobilização posterior de grupos de interesse e na apresentação imediata e propositiva de argumentos para eventuais mudanças no andamento de um assunto. Disponível em: http://www.aberje.com.br/acervo_not_ver.asp?ID_NOTICIA=10227&EDITORIA=Comitês Aberje

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