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Lobista profissional: o lobby do bem

O alagoano Jorge Barros, é Vice-Presidente Senior da Divisão de Relações Governamentais da em­presa alemã SiemensAs relações entre os setores público e privado são importantes para as estratégias das empresas e do governo. Do ponto de vista da essência contributiva para a sociedade, embora os papéis e a forma de atuar sejam diferentes, governo e setor privado são duas faces de uma mesma realidade e têm a mesma relevância para as pessoas. Portanto, um trabalho conjunto e consensual entre esses dois setores sempre traz enormes benefícios para o desenvolvimento econômico e social de um país. Numa nação de história e cultura patrimonialista em que os privilegiados sempre negociaram favores com quem detinha o poder, o Lobby do Bem é uma novidade. Esse movimento mais profissionalizado começou por volta de 2008, quando foi necessário entender o que a sociedade brasileira passou a exigir de seus governantes e qual seria o novo ordenamento jurídico-regulatório que regeria as relações institucionais entre governo e iniciativa privada. A partir dai, muitas empresas sérias começaram a contratar profissionais diferenciados para desenvolver essa nova atividade. Foi o caso da empresa alemã de tecnologia, Siemens. O alagoano Jorge Barros, 52 anos, que entrou na empresa como estagiário em 1987, 20 anos mais tarde foi escolhido para ser Vice-Presidente Senior da Divisão de Relações Governamentais. Antes disso, tinha sido Diretor Regional para a Região Centro-Oeste-Norte do Brasil. Formado em Economia, Pós-Graduado em Gestão de Negócios, MBA em Finanças e atualmente se doutorando em Administração de Empresas na Universidade de Rennes - França, sua experiência em se relacionar com o poder público foi adquirida no período em que sentava na cadeira de Diretor Regional da empresa. "Aprendi na prática, com os meus próprios erros e acertos." Atualmente, Jorge Barros comanda diretamente uma equipe de oito funcionários que fica alocada entre São Paulo e Brasília. "Ainda existe muito preconceito com qualquer profissão que precise se relacionar diretamente com o governo, mas a falta de regulamentação não supõe falta de legalidade. A principal qualidade do atual lobista é ser ético.", diz com gravidade. No Brasil de hoje, não se concebe a atividade de relações governamentais sem se observar a ética nos negócios. Graças à evolução dos mecanismos de prevenção, controle e punição às práticas anticoncorrenciais, o Brasil pode hoje se orgulhar de ver tantos desmandos sendo identificados e criminalmente punidos. Ainda temos um longo caminho até conseguirmos reduzir drasticamente esses desvios de conduta, mas com certeza já podemos comemorar grandes avanços nesse tema

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