Pular para o conteúdo principal

Quais habilidades o profissional de relações governamentais deve aprimorar para melhorar a sua performance?


Katz[1], classifica as habilidades necessárias a um profissional de gestão em três grupos principais: habilidade técnica, humana e conceitual.
Essa tipologia nos será útil para entender quais desses grupos de habilidades são mais importantes para profissionais que, como você, exercem a atividade de relações governamentais.
Vamos iniciar pelas habilidades técnicas, o grupo menos complexo, segundo Katz. Apesar de essenciais, as habilidades técnicas são menos complexas, pois podem ser desenvolvidas mais facilmente, bastando ao profissional adquirir conhecimentos, métodos e aprender a utilizar os equipamentos necessários para a realização de suas tarefas. Obter ou aprimorar conhecimentos sobre políticas públicas setoriais, processo decisório, processo legislativo, negociação e argumentação são um grande diferencial para esse profissional. Porém, caso haja alguma lacuna a ser preenchida, um bom workshop, curso de extensão ou pós-graduação lato sensu pode auxiliar o profissional a desenvolver plenamente esse grupo de habilidades.
Agora, vamos entender mais sobre o grupo mais complexo de habilidades. É importante frisar que, se você almeja atuar em nível gerencial, esse grupo de habilidades deve ser obrigatoriamente desenvolvido. Estamos nos referindo aqui à habilidade de formular estratégias voltadas aos objetivos da organização para gerar resultados eficazes e também à capacidade de construir uma visão sistêmica tanto sobre o setor de atuação da organização representada, quanto sobre o funcionamento do processo decisório estatal.
Como se vê, ao desenvolver esse grupo de habilidades, o profissional estará aprimorando sua capacidade prospectiva, analítica e estratégica. Para desenvolver essa habilidade o profissional precisa aprender a pensar de forma criativa e inovadora e, ao mesmo tempo compreender ideias abstratas e processos complicados. Apesar desse grupo de habilidades poder ser desenvolvido através da educação formal, algumas características pessoais do profissional podem ser um trunfo.
Levando em consideração que o produto que um profissional de relações governamentais entrega é sua capacidade de influenciar o tomador de decisão a partir do estabelecimento de um relacionamento sólido e duradouro, em que informações qualificadas serão trocadas, pense comigo: basta ser dotado de conhecimento técnico e de capacidade prospectiva, analítica e estratégica para ser um talentoso arquiteto de relacionamentos?
Na próxima coluna, vamos conhecer melhor a habilidade mais importante a ser desenvolvida por aqueles profissionais que desejam obter êxito em suas carreiras.
Até breve!

Andréa Gozetto
WhatsApp: (11) 98111-2451
e-mail: andrea@oficinarelgov.com.br




[1] KATZ, R. L. “Skills of an effective administrador.“ Harvard Business Review, jan.fev. 1955, pp. 33-42;

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

POR QUE MONITORAR O LEGISLATIVO?

A primeira vez em que ouvi a palavra lobby em sua acepção política, eu estava terminando o mestrado em Sociologia Política na Unesp-Araraquara. Esse tema, muito inovador no Brasil, estava em alta na Europa, porque os acadêmicos iniciavam suas investigações para compreender a fundo as estratégias e táticas dos grupos de interesse que haviam se instalado em Bruxelas com o objetivo de influenciar o ciclo de políticas públicas no Parlamento Europeu. Era 1998 e, apesar de ter cursado Ciências Sociais, jamais tinha estudado grupos de interesse ou lobby. Estranhamente, ainda hoje é raro encontrar, na literatura de Ciência Política voltada a estudantes de graduação, uma obra que defina e discuta esses termos apropriadamente. Extremamente incomodada com o que me pareceu uma grande contradição, comecei a estudar o assunto. A literatura em português era pífia e toda a cobertura jornalística sobre a atividade de lobby a associava a corrupção e tráfico de influência. Resolvi enfrentar o desafio d…

Mesa redonda discutira "O papel da tecnologia na democratização do lobby" em 20/09 em São Carlos/SP

O SL Summit é um evento que reúne diversos profissionais, em um só lugar, para apresentarmos casos de sucesso na área de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) e discurtimos o futuro da profissão.

Nessa primeira edição, haverá uma mesa redonda onde vamos discutir sobre “O papel da tecnologia na democratização do lobby”. Contaremos com a presença da Andréa Gozetto, coordenadora do MBA em Relações Governamentais da FGV/IDE e Pedro Fiorelli, Executivo Sênior de Relações Institucionais com mais de 10 anos de experiência no setor de infraestrutura e de fundos de investimento.

Se você é um profissional da área, entusiasta, acadêmico ou gosta de política, venha entender como a tecnologia está mudando a forma como fazemos lobby e o que esperar do futuro. O SL Summit acontece em São Carlos, porém faremos uma transmissão ao vivo no nosso Facebook. Se inscreva para receber novidades e o link para a transmissão!

Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScXbDXSX-T-bwoE1rpGHKqGMVd…

Lobby deveria ser regulamentado no País, avalia pesquisadora Andréa Gozetto da Fundação Getúlio Vargas

Andréa Gozetto, da Fundação Getulio Vargas, afirma que a regulamentação da prática não deve ser vista como 'panaceia'.



Entrevista com Andréa Gozetto, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas
Thiago Braga - Estadão 


BRASÍLIA - Atividade pouco conhecida no Brasil, olobbydeveria ser regulamentado, mas, a legislação, sozinha, não representaria uma solução contra desvios. Essa é uma das visões apresentadas pela pesquisadoraAndréa Gozetto, daFundação Getulio Vargas, uma das autoras do livroLobby e políticas públicas(FGV Editora), juntamente com o professor Wagner Mancuso, da Universidade de São Paulo (USP). Ao Estado, Andréa diz que a regulamentação não deve ser vista como “panaceia”. A seguir trechos da entrevista. Por que, na sua opinião, o lobby não foi regulamentado? A questão é que não se consegue entrar num consenso sobre as regras que vão normatizar. Pesquisas mostram que 80% do Congresso é a favor da regulamentação do lobby. Ótimo, mas como? O que vai se exigir? Um credenciamento…